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19 de mar de 2012

Para entender melhor as mudanças no Código Florestal

Dois textos importantes para quem quer saber mais sobre as mudanças no Código Florestal e suas consequências (inclusive para as cidades)

O primeiro tem entre seus autores a Academia Brasileira de Ciência (ABC) e a Agência Nacional de Águas (ANA). O segundo é do Prof. Aziz Ab'Saber, um dos maiores especialistas em geografia física do país, professor emérito da USP e ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

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É uma publicação do Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável. Leia abaixo partes da "apresentação" desta obra (ou leia a obra completa aqui):

"Nessa publicação o Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável organizou os resumos executivos de nove estudos técnicos e científicos sobre algumas das implicações do projeto de lei de Código Florestal. Mais de 54 pesquisadores e cientistas de alto nível em diversas áreas do conhecimento participaram dos estudos completos, cujos resumos estão aqui apresentados.
(...)

Apresentamos aqui a reunião de alguns dos aspectos científicos mais relevantes das mudanças propostas ao Código Florestal por setores do Congresso Nacional, dentre muitas outras existentes e não abordadas nessa publicação. Por essa razão, pedimos atenção especial da sociedade civil ao posicionamento dos parlamentares e dos governantes brasileiros sobre as questões colocadas nessa publicação, que devem ser consideradas fortemente por quem decide sobre a vida das gerações futuras do Brasil e do mundo. 
(...)

Estamos juntos com todos aqueles que desejam construir um Brasil desenvolvido com respeito ao meio ambiente, aos seus povos e contribuam decisivamente para o equilíbrio global do clima. Essa publicação faz parte de uma ampla tentativa da sociedade civil em chamar seus governantes e seus parlamentares a defender o Código Florestal e a defender o Brasil."

Texto do Prof. Aziz Ab'Saber sobre o Código Florestal, protocolado na Câmara Federal, às lideranças e para leitura em plenário:

Leia abaixo partes do texto (ou leia a obra completa aqui, no Blog de Gustavo Belic Cherubine, do http://www.advivo.com.br/):

"Em face do gigantismo do território e da situação real em que se encontram os seus macro biomas – Amazônia Brasileira, Brasil Tropical Atlântico, Cerrados do Brasil Central, Planalto das Araucárias, e Pradarias Mistas do Brasil Subtropical – e de seus numerosos mini-biomas, faixas de transição e relictos de ecossistemas, qualquer tentativa de mudança no “Código Florestal” tem que ser conduzido por pessoas competentes e bioeticamente sensíveis. Pressionar por uma liberação ampla dos processos de desmatamento significa desconhecer a progressividade de cenários bióticos, a diferentes espaços de tempo futuro. Favorecendo de modo simplório e ignorante os desejos patrimoniais de classes sociais que só pensam em seus interesses pessoais, no contexto de um país dotado de grandes desigualdades sociais. Cidadãos de classe social privilegiada, que nada entendem de previsão de impactos. Não tem qualquer ética com a natureza. Não buscam encontrar modelos tecnico-cientificos adequados para a recuperação de áreas degradadas, seja na Amazônia, , seja no Brasil Tropical Atlântico, ou alhures. Pessoas para as quais exigir a adoção de atividades agrárias “ecologicamente auto-sustentadas” é uma mania de cientistas irrealistas.
(...)

Por todas as razoes somos obrigados a criticar a persistente e repetitiva argumentação do deputado Aldo Rebelo,que conhecemos ha muito tempo, e de quem sempre esperávamos o melhor, no momento somos obrigados a lembrar a ele que cada um de nós tem que pensar na sua biografia, e , sendo político, tem que honrar a historia de seus partidos. Mormente,em relação aos partidos que se dizem de esquerda e jamais poderiam fazer projetos totalmente dirigidos para os interesses pessoais de latifundiários. 
(...)

Seria necessário que os pretensos reformuladores do Código Florestal lançassem sobre o papel os limites de glebas de 500 a milhares de quilômetros quadrados, e dentro de cada parcela das glebas colocasse indicações de 20% correspondente às florestas ditas preservadas. E, observando o resultado desse mapeamento simulado, poderiam perceber que o caminho da devastação lenta e progressiva iria criar alguns quadros de devastação similares ao que já aconteceu nos confins das longas estradas e seus ramais, em áreas de quarteirões implantados para venda de lotes de 50 a 100 hectares, onde o arrasamento de florestas no interior de cada quarteirão foi total e inconseqüente."

Aziz Nacib Ab’Sáber
São Paulo, 16 de junho de 2010

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