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26 de jun de 2012

Selva de pedra ou cidade viva?

Selva de pedra ou cidade viva? Entrevista com Luc Schuiten

Leia a entrevista concedida pelo arquiteto bruxelense Luc Schuiten para a revista Le Vif WeekendLuc Schuiten estabelece, em cada um de seus projetos, conexões entre o construído e o vegetal.

Imagem: Luc Schuiten. Fonte: http://citevegetale.net/

3 Questões à Luc Schuiten

Le Vif Weekend - Por que a agricultura é importante para os habitantes das cidades?

Luc Schuiten - Ao longo de décadas os cidadãos perderam uma boa parte de sua autonomia alimentar. Atualmente, eles mal podem se manter uma semana sem "entradas" esteriores e isso os fragiliza. Nós deveríamos ser capazes de responder às nossas necessidades básicas encontrando nossos recursos essenciais nas proximidades. Além disso, quanto mais nós nos afastamos das nossas raizes, mais sentimos a necessidade de retornar a elas. Nós somos seres biológicos. À força de sermos cercados de elementos construídos, nós sentimos fortemente essa necessidade de seguir o ritmo das estações, de nos reaproximar da natureza.


Le Vif Weekend - A arquitetura é levada a se adaptar para integrar esses "urbanocultores"?

Luc Schuiten - Hoje, se procura, antes de mais nada, a criação de belos objetos. Mas, arquitetura é outra coisa, é ligada à noções de cultura, de localidade... Os novos projetos mundializados moem os valores locais. Existe uma perda de diversidade no construído que tão grave quanto a de biodiversidade na natureza... A arquitetura só pode, então, evoluir. Aliás, ela sempre o fez. Tudo o que pode trazer a vida num  ambiente mineral corresponde às profundas aspirações das pessoas. É suficiente observar como elas se admiram diante de um espaço vegetal bem concebido na cidade para se dar conta.


Le Vif Weekend - A cidade do amanhã é...

Luc Schuiten - Certamente não uma cidade tecnológica que se tenta criar hoje pois ela é composta de matérias primas que vão progressivamente desaparecer... Por outro lado, o "vivo" permite conceber um mundo mais humano, sem empobrecer a natureza. Uma árvore plantada não suga nossa terra, mas absorve CO2 e diminue o efeito estufa... A cidade deverá então, no futuro, atingir um certo equilíbrio. À imagem de certas sociedades que já o atingiram, como os cupinzeiros que são espaços naturalmente autoclimatizados.

Fonte: Le Fiv Weekend, 25 Mai 2012, p. 12 (edição em papel; tradução minha)

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