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16 de nov. de 2011

Belmonte, a Vila de Cabral

Vila de Belmonte, onde nasceu Cabral. Foto: L. Mascaro, 2006
A vila onde nasceu Pedro Álvares Cabral se chama Belmonte e fica na região central de Portugal. Tem hoje aproximadamente 3.200 habitantes e é uma das 5 freguesias do município igualmente chamado Belmonte. Todas as 5 freguesias têm, no total, aproximadamente, 7.730 habitantes.

Cabral nasceu em 1467 no Castelo de Belmonte, que ocupa o topo de uma colina da citada vila. Esse castelo pertencia a sua família que aí habitou até fins do século XVII.

Castelo de Belmonte. Foto: L. Mascaro, 2006
Trata-se de uma edificação militar, contruída entre os séculos XII e XIII. Pesquisas recentes revelaram que a torre foi ocupada também pelos romanos. Passou por um incêndio e por várias transformações. No século XX funcionou como prisão. Foi declarado Monumento Nacional em 1927.  Hoje é aberto à visitação pública e possui um anfiteatro para apresentação de espatáculos.

Anfiteatro do Castelo de Belmonte. Foto: L. Mascaro, 2006
A vila de Belmonte tem vários atrativos turísticos, entre os quais um Museu Judáico, um pelourinho e um Ecomuseu (chamado Ecomuseu Zêzere). O grande interesse é observar que a cidade tem um patrimônio arquitetônico variado, proveniente de diversos períodos históricos. 

Monumento a Cabral do Governo
Brasileiro. Foto: L. Mascaro, 2006












Em certas edificações pode-se verificar traços da presença romana; em outras características da Idade Média, do período  Maneirista e do Barroco. Encontra-se até memso um monumento à Pedro Álvares Cabral, mandado construir pelo governo brasileiro em 1968. Tudo isso em contraste com a cidade contemporânea. 
Monumento a Cabral do Governo
Brasileiro. Foto: L. Mascaro, 2006
Monumento a Cabral do Governo
Brasileiro. Foto: L. Mascaro, 2006




























Conservar e valorizar o patrimônio é semelhante a promover a arborização urbana: incentiva o turismo e gera renda, além de fazer subir o valor dos imóveis das proximidades. Não serve apenas para "ser bonito"...

Pintor da Igreja de Bocaina

Continuando entre o fim do século XIX e o início do XX, aí vai um video (do youtube) que mostra várias obras do consagrado pintor brasileiro Benedito Calixto de Jesus

Nasceu em 14 de outubro de 1853 em Itanhaém (SP) e faleceu  em 31 de maio de 1927 em São Paulo. Foi  pintor, desenhista, professor e historiador. Em 1882 recebe uma bolsa para estudar em Paris. Lá frequenta o ateliê do mestre Rafaelli e a Academia Julian.

Suas principais obras sacras são as da Igreja Matriz São João Batista, de Bocaina. Mas tem outras obras do mesmo gênero na Catedral de Santos, na Bolsa do Café (Santos), no Palácio Cardinalício do Rio de Janeiro e na Igreja de Santa Cecília em São Paulo. Hoje, o gênero no qual se considera que ele mais se destacou é no das pinturas portuárias e litorâneas. Foi um artista muito produtivo.

Existe uma exposição permanente sobre a vida e a obra de Benedito Calixto no Museu da "Estação Cultura" na Estação de São Carlos em São Carlos (SP). Fecham a exposição 8 afrescos do pintor, feitos por encomenda para as paredes da antiga sede do Bispado.

Conhecer a obra de Benedito Calixto ajuda a entendermos o espírito da época, a cultura que nos foi legada e porquê é importante zelar por esse patrimônio. Estas e outras informações sobre o pintor em:



15 de nov. de 2011

Novidades de fim/início de século

O fim do século XIX trouxe muitas novidades além da Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889 (e da Abolição da Escravatura um ano antes, evidentemente).

O dinheiro gerado pela economia cafeeira permitiu a instalação das ferrovias, a importação de materiais de construção e da tendência arquitetônica conhecida como eclética.

Nas cidades paulistas, ainda hoje, algumas características originadas nesses tempos nos são familiares. O prof. dr. Carlos Lemos descreve as novas exigências para as moradias - estabelecidas pelos Códigos de Posturas desse período - em seu livro "A República ensina a morar (melhor)".

São Carlos (SP) no fim do século XIX. Foto: Pérez. Fonte:
Lemos, C.A.C., "ARepública ensina a morar (melhor)". São
Paulo, Hucitec, 1999, p.88.
Ele escreve principalmente sobre a cidade de São Paulo. Mas, apresenta também uma amostragem na cidade de São Carlos(*) que, como ele diz, "é batante significativa por retratar ou representar toda a arquitetura popular do Estado de São Paulo no periodo" (pag. 88).

Assim, a nova "feição" das habitações foram devidas à influência dos novos Códigos de Obras instaurados em várias cidades do estado. Em resumo, as principais novas exigências eram:
Casa em São Carlos (SP). Construida em 1914. Fonte: Lemos,
C.A.C., "A República ensina a morar (melhor)". São
Paulo, Hucitec, 1999, p.97.  e (*).
  • Obrigatoriedade do alinhamento no lote (as casas não podiam ter jardins fronteiros)
  • Obrigatoriedade de porão (para manter a casa livre da humidade do solo)
  • Obrigatoriedade de platibanda (tornou-se proibido jogar as águas das chuvas nas calçadas)
  • Corredor lateral descoberto (para iluminação direta dos cômodos)
Juntam-se a isso, os acabamentos e decorações, dados pelo mestre de obra geralmente italiano (na virada do século, a imigração italiana já era importante no Estado de São Paulo) (pag. 23) e temos a arquitetura característica das cidades paulistas daquela época.

(*)O estudo sobre São Carlos é da profa. dra. Maria Angela BortolucciMoradias urbanas construidas em São Carlos no periódo cafeeiroSão Paulo: 1991. Tese (Doutorado)-Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo

14 de nov. de 2011

Deserto cultural...

Somando os habitantes das cidades de Brotas, Bocaina, Boa Esperança do Sul, Trabiju, Dourado e Ribeirão Bonito teremos um total de, aproximadamente, 70mil habitantes (segundo dados do SEADE).

Museus
Em 1995, as cidades citadas não contam com nenhum museu! Em 2003, a situação já melhora  e encontramos:
  •  1 museu em Brotas
  •  1 em Bocaina 
  •  1 em Trabiju e
  •  1 em Ribeirão Bonito, fazendo um total de 4 museus para 70 mil habitantes.
Bibliotecas
Em 1995, há um total de 10 bibliotecas para todas as cidades. Em 2003:
  • Brotas tem 1 biblioteca
  • Bocaina tem 1
  • Boa Esperança do Sul tem 1
  • Dourado tem 1 e 
  • Ribeirão Bonito tem 1, 
sendo 5 no total. Ao que parece, então, a disponibilidade de bibliotecas para 70 mil habitantes caiu pela metade de 1995 até 2003.

Cinemas
Projeto vá ao cinema da Secretaria de Cultura do
Estado de São Paulo. Fonte: http://www.cultura.sp.gov.br/
Em 1995, todas essas cidades dispunham de 1 sala de cinema, localizada em Brotas. Em 2003, mesmo essa única sala desaparece das estatísticas! Felimente, em 2009, o Cine São José, de Brotas, reabre como centro cultural. Esse cinema recebeu também o projeto "Vá ao Cinema", da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

Os dados acima são do SEADE também. 

Nos últimos anos, enquanto o número de carros dobra, o número de bibliotecas cai pela metade. Quanto aos cinemas, não é novidade o processo de extinção pelo qual passaram e já faz tempo. Alguém se lembra quando fecharam os cinemas nessas cidades?

Os dados mais favoráveis são sobre os museus, que aumentaram em número. Mas, estão funcionando? São utilizados?

Isso significa carência de opções de lazer (em outras palavras, falta de equipamentos coletivos). A educação também se prejudica com tal carência. Num Brasil que se desenvolve, por que a cidades pequenas têm que ser culturalmente pobres? 

13 de nov. de 2011

Parar para pensar, parar para pensar...


Portaria da Penintenciária de Ribeirão Preto (SP). Foto: Alexandre Bonaci
http://www.panoramio.com/photo/44617551
Portaria de um condomínio fechado à venda no site http://taubate.olx.com.br/
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Presídio Regional de Joinville (Santa Catarina). Foto: Salmo Duartehttp://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/08/dezesseis-detentos-fogem-de-presidio-em-sc.html
Muro de um condomínio fechado qualquer à venda no site http://taubate.olx.com.br/
Outro muro de um condomínio fechado qualquer à venda no site http://taubate.olx.com.br/
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A famosa Prisão de Guantánamo. Fonte: http://bomdia.news352.lu/?p=edito&id=9419&a=print
Material de segurança à venda para condomínios etc... Fonte:  http://www.logoscontrol.com.br/produto/cerca-concertina-perfurante-pintada-cor-verde-45cm--simples/336.html
Material de segurança à venda para condomínios etc... Fonte: http://pollyeletrons.webnode.com.br/servi%C3%A7os/

10 de nov. de 2011

Desconto para bicicletas elétricas.

Enquanto isso...

A administração pública da cidade de Huy (Bélgica) está dando uma contribuição a quem comprar uma "bicicleta à assistência elétrica" ou um "kit elétrico adaptável" às bicicletas normais. A notícia é do jornal DH.be.

Apesar do terreno acidentado, os administradores públicos acreditam que podem melhorar a mobilidade da cidade incentivando o uso da bicicleta. (E apesar do clima também, chuvoso e frio, na maior parte do ano!)

A contribuição oferecida para cada família é de 15% do preço da "bicicleta à assistência elétrica" ou do "kit elétrico", podendo chegar a um maximo de 150euros. É preciso também estar morando na cidade há, pelo menos, 6 meses.

Imagem da reportagem: "Une prime pour les vélos à moteur
(06/11/2011)"
Fonte: http://www.dhnet.be/infos/societe/
article/374395/une-prime-pour-les-velos-a-moteur.html

O "échevin" encarregado da mobilidade urbana afirma que "se as pessoas usam mais a bicicleta que os carros, haverá mais facilidade para estacionar". Além disso, haverá menos emissão de "gases à efeito estufa".
Como diz a reportagem: "é uma iniciativa a mais para incentivar a mobilidade "doce" para curtas distâncias". Note-se que a pessoa na bicicleta não está de salto, mas de terno e gravata!!!

Bicicleta não tem Classe Social!

"Milionárias de Bike" é um novo evento promovido no facebook. O encontro é  um perfeito retrato da guerra entre carros e bicicletas! Vejam a reportagem na Folha.com.

Quantas ciclovias existem no Brasil? Poucas.... E ainda reclamam das que existem! 

Na página do facebook "Milionárias de Bike" lemos: "Bicicleta não tem Classe Social, não é coisa de rico nem de pobre, é um meio de transporte como outro qualquer!" Nem todo mundo entende isso, vejam o vídeo abaixo. Vale a pena!!!


Enquanto isso............

Cidades pequenas têm mais mortes no trânsito!

Fácil entender um dos motivos pelos quais as cidades pequenas também têm problemas de trânsito: a frota de automóveis particamente duplicou de 2002 para cá! Só automóveis, excluindo outros tipos de veículos como motos etc.

Vejam os dados do SEADE:


Número de habitantes para cada automóvel (hab./auto):

2002
2010
Bocaina
5,31
3,53
Trabiju
12,13
5,89
Dourado
6,11
3,66
Ribeirão Bonito
6,91
4,54



Bonde elétrico: exmplo de transporte público eficiente.
Muito utilizado em outros países. Foto: L. Mascaro
Esse não é o único motivo. Falta de planejamento urbano e falta de incentivo em outros modos de locomoção também colaboram para os problemas de trânsito, que atualmente atingem as cidades médias e pequenas. 

Outro tipo de locomoção seria, por exemplo, investimentos e políticas voltadas para o desenvolvimento de transporte público eficiente. Outro exemplo: incentivo da utilização de transportes não-motorizados, ou seja, a pé e bicicleta.

Uma reportagem de 2008, publicada no Observatório Regional de Saúde do ABC, explica que as "cidades pequenas passam a ter mais mortes no trânsito do que as maiores".

Outra, publicada no Portal do Trânsito, afirma que "o recordista no crescimento da frota na região foi Trabiju, menor cidade da região com 1.500 habitantes, onde o total de veículos cresceu 18,5%", em 2009.

O aumento da frota não é acompanhado de investimentos no planejamento das cidades e na sua estrutura viária. Planejamento é fundamental! Parece que sim, mas mudar as mãos de direção, colocar lombadas, proibir estacionamentos em determinadas ruas não resolve

Bonde elétrico: no Brasil foi aposentado. 
É peça de museu, utilizado apenas como
atração turística. Foto: L. Mascaro.
O problema é mais profundo e tem vários motivos. É preciso que as administrações públicas estejam abertas ao planejamento urbano, ao estudo aprofundado dos problemas e ao diálogo com a população. 

A administração pública também pode fazer apelo às universidades. Vários pesquisadores são especilistas no assunto e têm programas de prestação de serviços às comunidades. Por exemplo, a profa. dra. Renata Cardoso Magagnin, da UNESP de Bauru, e o prof. dr. Antônio Nélson Rodrigues da Silva, da USP de São Carlos (caso haja interesse, posso ajudar a entrar em contato com eles).

A região do interior paulista é privilegiada nesse aspecto, pois as universidades estão perto. Por que não aproveitar essa facilidade?

Afinal, por que as cidades pequenas e médias têm que ter os mesmos problemas das grandes, sem ter os mesmos benefícios? 

9 de nov. de 2011

Arborizadas, ameaçadas e, às vezes, salvas!

Insistindo: 

Árvores não são sinônimo só de beleza, nem só de sombra, nem só de bem-estar! A arborização urbana faz subir o preço dos imóveis e dos terrenos situados nas proximidades. É uma forma de agregar valor ao patrimônio público e privado. 

Lista de ruas arborizadas que quase foram "varridas do mapa", se não fosse a oposição dos cidadãos:
Rua Gonçalo de Carvalho vista de cima Fonte:
http://goncalodecarvalho.blogspot.com/
Rua Voluntários da Pátria vista de cima.
Foto: Luiz Flávio de Carvalho CostaFonte: http://ruacinco.blogspot.com/

Vista da Avenida do Porto a partir da Praça Sainctelette. Fonte:
http://www.avenueduport.be/de-quoi-sagit-il/les-arbres/


De Keyserlei, vista de cima. Fonte:
http://maps.google.be/

Esta última ainda está em risco. Existe uma petição online e uma página facebook, organizada pelos cidadãos de Antuérpia para salvar o corredor de Tilias existente.

Devem existir outras ruas como essas, que foram ou ainda são ameaçadas. Ou mesmo algumas que permanecem tranquilamente. Se alguém tiver notícias sobre outras,  comunique...

Pós remodelação da Av. da Saudade

Que pena!...
Em setembro de 2011, quando o blog do Ronco publicou o texto "Remodelação da Avenida da Saudade: Oportunidade, Patrimônio e Futuro", as obras na Avenida ainda não tinham começado.

Hoje a obra já acabou e - como é de hábito - nós nos damos por satisfeitos porque, afinal, o asfalto é novo.


Sim, o asfalto é novo, mas... E a melhoria das condições para os pedestres e os ciclistas? E a arborização urbana? E o patrimônio municipal? Perdemos uma oportunidade?


Aliás, foi só tocar no assunto "patrimônio" e "árvores": um belo dia, são divulgadas as fotos da fachada da capela toda danificada e as árvores cortadas! Que decepção! Outra pergunta: a capela e as árvores não foram localizadas no projeto antes do início das obras?


Capela e árvores, antes e depois das obras na Av. Da Saudade. 

Projeto de uma avenida, em corte e em escala.
Fonte: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=589794
Perspectiva de um projeto de avenida, com arborização e espaço para pedestres.  Fonte:http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?p=16949381 
E a vida continua... 
("Dourado" aqui pode ser substituído por "Ribeirão Bonito", "Bocaina" etc.)

"É assim mesmo", "Dourado é pequena", "Dourado não tem dinheiro", "é melhor não falar nada", "ninguém está interessado", "os vândalos destroem todas as melhorias", "é melhor isso do que nada" e por aí vai... Alguém aí já pensou assim? Eu já... 

Exemplo de projeto de ciclovia em conjunto com o trânsito.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,projeto-poe-onibus-e-bicicleta-na-mesma-faixa,627574,0.htm
Será que um dia a coisa muda?
Ao mesmo tempo, eu também me pergunto: Pensamentos menos "acomodados" levariam a cidade para uma situação melhor? A responsabilidade seria de todo mundo? Faltaria comunicação entre a administração e as pessoas? Poderíamos discutir os problemas, num sentido construtivo?
Tudo depende...